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Rússia e Irã investem nas criptomoedas para escapar das sanções dos EUA

Postado por em 21 de maio de 2018 , marcado como , , , , , , , , , ,

O Irã e a Rússia consideram recorrer às criptomoedas como uma solução para escapar das sanções financeiras ocidentais e reduzir sua dependência do dólar americano.

(Foto: Pixabay)

Atingido por uma crise monetária nos últimos meses o Irã viu, na suspensão do acordo nuclear sancionado pelo presidente Donald Trump, o mergulho da moeda Rial para mínimos históricos em relação ao dólar americano.

A Rússia também vem sendo alvo de embargos internacionais impostas pelos EUA, pela União Europeia e seus respectivos aliados após a intervenção militar impetrada na Ucrânia.

Em um esforço para contornar o comércio baseado no dólar americano e escapar da dependência do sistema interbancário global operado pela SWIFT (Sociedade para Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais), o Irã – em intensas conversas com o governo russo – sugere a adoção das criptomoedas como uma solução para as restrições.

A Comissão Parlamentar de Assuntos Econômicos do Irã já “obrigou o Banco Central a começar a desenvolver propostas para o uso de criptomoedas”, revelou a autoridade Mohammad Reza Pourebrahimi.

“Nos últimos dois anos, o uso das criptomoedas se tornou uma questão importante”, afirmou Pourebrahimi. “Esta é uma das boas maneiras de contornar a influência do dólar, bem como a substituição do sistema SWIFT”, acrescentou.

A autoridade parlamentar fez a revelação após uma reunião em Moscou, com Dmitry Mezentsev, chefe do Comitê de Política Econômica da Rússia.

Pourebrahimi confirmou o intercâmbio com o Comitê de Políticas Econômicas russo, com reportagens locais sugerindo que o Irã “estabeleceu cooperação com a Rússia”, em seu pacto de criptomoedas.

“Eles compartilham nossa opinião. Dissemos que, se conseguirmos promover esse trabalho, seremos os primeiros países a utilizar criptomoedas na troca de mercadorias”, ponderou Pourebrahimi.

 Criptomoeda estatal

 Conforme relatamos anteriormente, o ministro do Irã, Mohammad Azari-Jahromi, confirmou o esforço do Estado para desenvolver uma criptomoeda estatal impulsionada pela tecnologia blockchain.

“Um modelo piloto para revisão e aprovação será entregue ao sistema bancário do país”, disse o ministro na época, insinuando um lançamento em todo o país, caso a criptomoeda se mostre bem sucedida.

A Rússia também está trabalhando em uma criptomoeda própria, a Criptoruble, sob as ordens de Vladmir Putin.

Ao se reunir com importantes figuras do governo, o conselheiro econômico de Putin, Sergei Glazev, disse às autoridades que uma criptomoeda estatal serviria como uma “ferramenta útil” para contornar as sanções.

Ele ainda acrescentou que “podemos liquidar contar com as nossas contrapartidas em todo o mundo, sem qualquer consideração às sanções”.

A Rússia e o Petro venezuelano

A Rússia tem sido sumariamente associada ao desenvolvimento do Petro venezuelano, a primeira criptomoeda do mundo.

O Petro foi anunciado pela primeira vez pelo presidente do país caribenho, Nicolas Maduro, em dezembro de 2017 sob o argumento de burlar o bloqueio financeiro imposto pelos EUA.

Oficialmente lançado em fevereiro deste ano, funcionários do Kremlin rejeitam qualquer sugestão de envolvimento com o Petro, além de criticar um relatório da Time que afirmava que o presidente russo, Vladmir Putin, assinou pessoalmente a ajuda à Venezuela com a moeda digital.

Fonte: CCN