Casos de uso Mercado

Governos estão testando suas próprias criptomoedas

Postado por em 26 de setembro de 2017 , marcado como , , , , , , ,

Parece irônico. As criptomoedas nasceram com o objetive de, entre outras coisas, exterminar a dependência de uma autoridade central. A sua tecnologia – o Blockchain -, no entanto, está sendo especulado por bancos ao redor do mundo para garantir suas operações com eficiência no mundo digital, sobretudo em países em que o uso de moeda física esteja em decadência e suas redes computacionais precisem de melhorias.

Esse é um dos casos da Suécia, por exemplo. Por lá, as transações em dinheiro vivo no último representaram apenas 15%, ante 40% em 2010. O principal motivo da queda: adesão em massa a serviços de pagamento por smartphone.

Isso tem deixado o Riksbank, o Banco Central da Suécia, pensando se a melhor solução não seria fazer uma moeda inteiramente digital para o país. E, por acaso, a tecnologia necessária para fazer isso está funcionando muito bem com o bitcoin e outros centenas de criptomoedas diferentes.

Por todo o mundo

Mas não é preciso ir até a Suécia para comprovar o interesse de governos em Blockchain. No Brasil, o Banco Central já publicou um estudo sobre um possível caso de uso no seu sistema financeiro. Além disso, China, Rússia, Singapura e Canada são outros países que tem investido em estudo para o uso de Blockchain em seus bancos centrais.

Nos últimos anos, um grupo de pesquisadores escreveu um estudo que apresentou ao mundo o FedCoin, um conceito de criptomoeda emitida por bancos centrais que, entre outras coisas, é anônima e mais estável do que o bitcoin em termos de volatilidade.

Embora substituir totalmente uma moeda impressa estatal por uma moeda digital seja um caminho longo, incluindo desafios à nível de políticas monetárias, o FedCoin tem sido alvo de estudo por diversos países.

De banco para banco

Para além da emissão de moedas, um papel importante dos bancos centrais na economia é a transferência de fundos entre os bancos comerciais. Funciona assim: quando um banco comercial precisa mandar uma grande quantia de dinheiro para outro, eles depositam para o banco central para, então, ele efetuar essa operação.

A partir disso, o banco central precisa lidar com sistemas dos outros bancos, que muitas vezes são construídos em linguagens de programação obsoletas e bancos de dados ultrapassados.

Esses e outros problemas seriam resolvidos pela criação de uma criptomoeda exclusiva para operar entre os bancos. Assim, essas transações entre bancos se tornaram mais fáceis e rápidas.

A criação dessa criptomoeda governamental exclusiva para operações entre os bancos não precisa encarar tantos desafios e políticas monetárias quanto uma criptomoeda para disponível para todos os cidadãos e, portanto, dá indícios que os sistemas financeiros operados em Blockchain começaram por aí.

Adoção do Blockchain

Existem oportunidades de uso de criptomoedas governamentais para o varejo (como o FedCoin) e entre as instituições financeiras. Em uma recente publicação do Bank of International Settlements (uma espécie de banco central dos bancos centrais), Morten Bech e Rodney Garratt definem uma série de distinções entre esses dois tipos de uso.

Embora promissores, essas abordagens ainda tem muitos desafios pela frente. Além disso, talvez as moedas físicas nunca sejam substituídas totalmente. Garratt questiona: “será que o público exigirá um meio de troca digital com propriedades similares ao dinheiro? Em alguns lugares, talvez haja pressão para que os governos a forneçam, e em locais onde não, não haverá”.