Casos de uso Tecnologia

Caixa eletrônico de Bitcoin vira febre em comunidades de baixa renda

Postado por em 9 de julho de 2018 , marcado como , , , , , , , , , , ,

Apesar da baixa no mercado da mais famosa das criptomoedas, o número de caixas eletrônicos de Bitcoin só aumenta nos EUA. O mais interessante é que esses equipamentos estão sendo instalados nos lugares mais inusitados: em bairros de baixa renda.

(Foto: techcoins)

Segundo o jornal The Virgian Pilot, é possível encontra-los, por exemplo, em lojas de conveniência dos postos de gasolina ou próximo a casas lotéricas.

Mas de que forma um caixa eletrônico de Bitcoin seria útil para uma população carente? Quem responde é Andy Attisha, proprietário de uma dessas estações de serviço.

“As pessoas que utilizam essas máquinas muitas vezes não possuem contas em bancos”.

Ele acrescentou que é muito comum os usuários trazerem maços de dinheiro para depositar nas máquinas, especulando que eles utilizam o Bitcoin como uma forma de “guardar” o dinheiro – e depois retirá-lo quando precisarem pagar as contas.

E essa é exatamente a justificativa que as empresas responsáveis pela instalação apresentam: alcançar bairros em dificuldade com pessoas sem acesso aos serviços financeiros tradicionais.

As famílias de baixa renda são as mais propensas a administrar seu dinheiro com serviços fora do sistema bancário, já que alguns são excluídos dos serviços convencionais após sequências de dívidas e falta de crédito.

Controvérsias

No entanto, Michael S. Barr, reitor da Escola de Políticas Públicas da Universidade de Michigan, questiona a validade das alegações.

“Isso não me parece uma maneira segura e sólida de fornecer serviços financeiros para pessoas de baixa renda”, ele argumenta.

Barr, que escreveu extensivamente sobre os desafios enfrentados por comunidades carentes sem contas bancarias, observa que as constantes oscilações de valor do Bitcoin podem ser altamente prejudiciais.

“O Bitcoin tem níveis de preços muito voláteis e a última coisa que as pessoas de baixa renda precisam é de mais incertezas em suas vidas”.

Para o professor assistente da Universidade Villanova, na Pensilvânia, John Sedunov, as pessoas estão vendo o Bitcoin como um bilhete de loteria.

Segundo ele, os usuários em condições econômicas difíceis vislumbram a possibilidade de fazer muito dinheiro. Mas a queda da criptomoeda nos últimos meses indica que isto está longe de ser uma garantia.

Investimento especulativo

Entretanto, entusiastas da ideia como Joe Ciccolo – fundador da BitAML, uma empresa presta consultoria para startups de moedas digitais – defende que os caixas eletrônicos de Bitcoin permitem que as pessoas comprem criptomoedas de forma conveniente, instantânea e, normalmente, em pequena quantidade.

Isso porque, as transações médias estão em torno de 200 ou 300 dólares, segundo o Bitcoin of America. E que mesmo com a queda do preço da moeda, o volume de pedidos continua crescendo.

Ciccolo, que tem experiência em compliance regulatória, disse que a clientela dos caixas eletrônicos de Bitcoin tendem a ser jovem, masculina e disposta a assumir riscos. E sim, alguns podem estar tentando ganhar dinheiro rápido, ele acrescenta.

“Muitas pessoas negociam o dia”, revelou Attisha. “Eu vejo pessoas vindo aqui todos os dias mexendo com a máquina”.

Para Barr o crescimento dos caixas eletrônicos de Bitcoin é resultado do hype em torno da criptomoeda, levando as pessoas a investirem em algo que não faz muito sentido pra elas.

Soluções positivas

Em meio as opiniões divergentes em torno do Bitcoin é inegável o benefício de projetos que almejam atender e facilitar a vida de uma população desassistida.

Um exemplo é o projeto da Wala, noticiado aqui no Portal Criptoeconomia. A startup está facilitando a vida cotidiana de milhares de africanos ao permitir micropagamentos com o blockchain do Ethereum.

Já a ONG Pale Blue Fundation está empenhada em utilizar o Bitcoin para sufocar a crise econômica na Venezuela.

Segundo seu fundador, Jonathan Wheeler, “Estamos tentando fazer disso uma missão colaborativa em grande escala, para ajudar pessoas que sofrem com a tirania financeira”.