Tecnologia

Startup facilita vida de africanos ao permitir micropagamentos com o blockchain do Ethereum

Postado por em 11 de junho de 2018 , marcado como , , , , , , , , , , ,

Em vários países do continente africano, cidadãos estão gastando 27 centavos para aumentar o tempo conexão dos seus celulares. A grande novidade é que eles estão utilizando a tecnologia blockchain para fazer isso.

(Foto: Pixabay)

Inicialmente o movimento pode surpreender o setor criptográfico, já que a visão de um sistema de blockchain permitindo a movimentação de milhões de transações em todo o mundo, provou ser um desafio a ser superado.

No entanto, uma startup da África do Sul, a Wala, está provando que um pouco de criatividade e uma adoção eficaz da tecnologia nascente, pode fazer das criptomoedas uma alternativa de pagamento melhor do que qualquer uma das opções tradicionais utilizadas pelas nações africanas.

“Nós realmente acreditamos que as criptomoedas impulsionarão uma revolução financeira na África”, comentou Tricia Martinez, CEO da Wala, que arrecadou US$1,2 milhão a partir da venda dos seus tokens “Dala”, em uma ICO realizada em abril.

E parece que a utopia está virando realidade. A Wala agora está facilitando cerca de 6.300 transações diárias de Dala para mais de 57 mil carteiras em toda Uganda, Zimbábue e África do Sul. A grande maioria dessas transações são micropagamentos abaixo de 1 dólar.

Dessa forma, a startup está mostrando não apenas que as microtransações de blockchain são possíveis, mas também que o uso de criptomoedas pode ser bem sucedido em países em desenvolvimento.

Antes de lançar o token, a Wala atuava facilitando as transações dos clientes através do seu aplicativo móvel com a infraestrutura em voga nesses países africanos.

No entanto, as altas taxas cobradas pelos bancos locais não fez o projeto progredir e estava prejudicando a base de clientes da Wala, bem como o modelo de negócios da empresa.

“A taxa zero é a solução, mas os bancos não poderiam apoiar isso”, continuou Martinez.

A solução foi investir no conceito proposto pelas criptomoedas, já que ele permite que os pagamentos sejam feitos através de uma rede peer-to-peer com taxas mais baixas.

E com 100 mil comerciantes oferecendo bons serviços, através da plataforma Wala, a startup criou uma economia circular de pequena escala – algo que os entusiastas das criptomoedas há muito buscavam.

“Não só eles podem fazê-lo em seu país, mas também em outros 10 mercado. Se você está na África do Sul e sua mãe no Zimbábue, você pode comprar aumentar a conexão do celular ou pagar por sua eletricidade”.

O mecanismo por trás das microtransações

Mas como a Wala está facilitando essas microtransações no blockchain do Ethereum sem perder de vista as crescentes preocupações de dimensionamento?

A pergunta é pertinente se levarmos em conta as taxas de transações do Ethereum, que variam entre US$ 0,17 a US$ 4,15, que tornam o serviço da Wala muito caro.

Porém, ao utilizar uma tecnologia chamada microraiden, a Wala é capar contornar essas taxas das transações.

O microraiden é uma versão simplificada do raiden, uma tecnologia similar à rede de relâmpagos do Bitcoin, que empurra as transações off-chain em um esforço para aumentar a escala.

Ao contrário do raiden, que facilita múltiplos canais e pagamentos em movimento bidirecional, o microraiden permite que os desenvolvedores de aplicativos descentralizados configurem um canal que receba apenas pagamentos.

Dessa forma, a Wala recebe todos os pagamentos do usuário através desse canal e, em seguida, agrupa essas transações para estabelece-las no blockchain do Ethereum.

Enquanto que esse processo de liquidação incorre em uma taxa de transação, a Wala atualmente é capaz de absorver esse custo por causa do dinheiro arrecadado através da venda de tokens e do seu investimento de capital de risco (total de US$ 2,2 milhões).

Ainda assim, embora o sistema funcione agora para a Wala, a empresa está procurando outras opções, caso o dimensionamento se torne um problema.

“Também estamos explorando a oportunidade de trabalhar com alguns blockchains diferentes”, explicou Samer Saab, cofundadora e COO da Wala.

Esta é uma estratégia que outros emissores de tokens – que escolheram o Ethereum – assumiram recentemente, com base nas preocupações sobre escala.

Centralizar, por enquanto

Até então, outra maneira pela qual a Wala está lidando com os custos e atrasos de transacionar em blockchain é centralizando um pouco suas operações.

Mas, como destaca Mrtinez, a empresa tem planos para descentralizar lentamente essa equação. “Nosso plano de descentralizar depende de como o Ethereum será escalável no futuro”, disse ela, acrescentando que:

“Nosso objetivo é permitir que os usuários controlem suas próprias chaves privadas, a fim de ter mais propriedade e controle sobre todo o processo”.

 Juntamente com esse esforço, a empresa procura maneiras de tornar o Dala mais atraente que o dinheiro. E uma maneira pela qual a Wala está seduzindo novos usuários é através de um sistema de recompensas.

Por exemplo, os usuários podem se beneficiar ao recomendar o aplicativo para um amigo. E, ainda este ano, a empresa laçará uma “plataforma de microempregos”, que oferecerá Dalas em troca de tarefas simples, como participar de pesquisas ou tirar fotos.

Expandindo as parcerias

2018 também será o ano de expandir a Wala para 11 países, incluindo o Reino Unido, por meio de vária parcerias.

Os pagamentos transfronteiriços de expatriados em países como o Reino Unido são parte integrante de muitas economias africanas. Mas tais serviços de remessa são caros e muitas vezes repleto de atrasos.

Segundo o Banco Mundial, a África é o continente mais caro do mundo para enviar dinheiro. E é aí que a rede global Dala entra.

Martinez revela que os consumidores poderão receber remessas e comprar produtos no aplicativo ou pessoalmente. E o sistema se transformará em um serviço financeiro totalmente funcional onde o usuário poderá optar em vez do dinheiro.

O Dala é uma alternativa a moedas instáveis como o Xelim de Uganda e o rand sul-africano, comentou Martinez, que concluiu:

“As empresas estão buscando soluções alternativas mais estáveis, para que possam movimentar valor além das fronteiras e começar a investir nessas economias emergentes”.

Fonte: CoinDesk