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Venezuela: Após eleição presidencial controversa, saga do Petro continua

Postado por em 22 de maio de 2018 , marcado como , , , , , ,

Reeleito no último domingo, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, permanecerá no poder por mais seis anos. Em um processo eleitoral envolvido em controvérsias e acusação de irregularidades, a reeleição do líder venezuelano significa que a criptomoeda Petro, continuará em destaque.

(Foto: Foto: REUTERS/Carlos Jasso)

Segundo a Reuters, o político de 55 anos venceu a eleição com 67,7% dos votos, enquanto que seu adversário mais próximo, Henri Falcon, teve 21,2% da preferencia. Isso significa que 5,8 milhões de pessoas escolheram Maduro, enquanto que apenas 1,8 milhões votaram em Falcon.

“Eles me subestimaram”, disse Maduro sob fogos de artifícios para uma multidão em frente ao palácio presidencial Miraflores, no centro de Caracas.

A oposição, por sua vez, alega que a taxa de comparecimento de 46,1% divulgado pelo comitê eleitoral foi inflado. Segundo eles, o comparecimento foi de cerca de 30%. Falcon declarou que “o processo, sem dúvida, peca pela falta de legitimidade e, como tal, não o reconhecemos”.

Brasil rejeita vitória de Maduro

Na manhã da última segunda-feira, o governo Brasileiro juntamente com as nações que compõem o Grupo Lima – bloco composto por 14 países – disseram não reconhecer a legitimidade do processo eleitoral venezuelano.

No documento, os 14 países concordam em reduzir o nível das relações diplomáticas com a Venezuela e estabeleceram restritas diretrizes econômicas e financeiras contra Caracas.

Em nota separada, o Itamaraty lamentou as condições em que o processo eleitoral foi realizado.

“Com numerosos presos políticos, partidos e lideranças políticas inabilitados, sem observação internacional independente e em contexto de absoluta falta de separação entre os poderes, o pleito de dia 20 de maio careceu de legitimidade e credibilidade”.

 Sanções generalizadas

(Foto: Pixabay)

Com Maduro no poder, a Venezuela pode enfrentar uma nova rodada de sanções ocidentais, que apelidaram o processo eleitoral de “insulto à democracia”.

O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, já ameaçou, inclusive, se mover contra a indústria petroleira da Venezuela, que viu o governo inovar com o lançamento de sua própria criptomoeda, o Petro.

A criptomoeda é considerada por muitos como uma forma de o país contornar as restrições econômicas e atrair capital estrangeiro, com representantes do governo caribenho afirmando que o Petro deve afetar positivamente a economia do país em três a seis meses.

Para que isso aconteça, a Venezuela pode cobrar pelas exportações em Petro, como uma foram de criar demanda por sua criptomoeda.

Maduro também ordenou a várias empresas estatais que aceitassem a criptomoeda e ainda ofereceu desconto de 30% para a Índia, sobre as compras de petróleo bruto, se pago com a criptomoeda estatal.

Aqueles que se posicionam contra a criptomoeda lastreada pelo petróleo afirmam que esta é uma forma de o governo hipotecar ilegalmente as reservas do país, e que sua venda não trará nenhuma melhoria à economia da Venezuela ou aos seus cidadãos.