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São Paulo planeja pagar pela infraestrutura das cidades com criptomoedas

Postado por em 19 de janeiro de 2018 , marcado como , , , , , , ,

O estado brasileiro de São Paulo está procurando, na criptografia, maneiras de resolver seus problemas de infraestrutura. O estado, que abriga 45 milhões de habitantes mais a capital – a maior metrópole do hemisfério sul e a terceira maior do mundo – planejam utilizar um token chamado Buildcoin que pague engenheiros ao redor do mundo para pesquisar soluções de viabilidade. Esses estudos serão necessários para avaliar a praticidade e justificar as despesas de grandes projetos de construção.

(Fonte: Pixabay)

Para testar o conceito, São Paulo reunirá e financiará estudos para o programa Ilumina SP, que visa trocar o antigo sistema de iluminação pública por alternativas mais novas e mais eficientes. Se bem sucedida, a solução de blockchain poderia ser uma alternativa para os governos, que desejam investir em infraestrutura mas não possuem o recurso para pagar por estudos independentes e de qualidade – que são necessários para atrair investidores externos e fazer o projeto evoluir.

Funcionários de São Paulo dizem que um modelo capaz de atrair mentes de todo o mundo e recompensa-los com criptomoeda pode ajudar o Estado a atender às necessidades de infraestrutura de forma mais transparente, mais barata e rápida que o processo em voga. “Nós gostamos de inovação em São Paulo e o blockchain e as criptomoedas estão seguindo um interessante caminho; e nada mais aceitável que começar a experimentar esta alternativa”, ponderou Hélcio Tokeshi, secretario da fazenda do Estado, ao Coindesk.

Como isto funciona?

São Paulo está se associando a esta iniciativa com a CG/LA Infrastructure, com a Washington D.C Consultoria e com a BuildCoin Foundation, empresa baseada em Zug, Suiça. O projeto piloto alavancará a rede global CG/LA de 60 mil especialistas em infra estrutura com o token da fundação, projetado para criar ecossistemas alternativos de pagamento para o setor de construção.

Em primeiro lugar, os governos submeterão propostas ao BuildCoin Foundation para análise. Os projetos selecionados seriam destacados e direcionados para especialistas no banco de dados da CG/LA. Então, é nesse momento que entra a moeda, um token ERC-20 que roda em cima de uma blockchain de Ethereum.

Por exemplo, um engenheiro na Finlândia que se especializou em pontes poderia receber um convite para colaborar com um estudo de viabilidade de uma ponte comissionada pelo governo brasileiro. Ele receberia remuneração em Buildcoin baseado em sua contribuição geral no projeto e medido em um sistema semelhante ao Reddit, no qual outros participantes podem avaliar a qualidade do seu trabalho.

Por que o engenheiro aceitara pagamento em um token digital especializado em vez de dinheiro, que ele poderia gastar no supermercado local? Se tudo ocorrer de acordo com o plano, o Buildcoin eventualmente seria resgatável para outros serviços no mesmo ecossistema, como a subcontratação de outras empresas parceiras, pesquisas de mercado e treinamento profissional. Semelhante a muitos outros projetos baseados em blockchain, a proposta de valor se tornaria mais forte a medida que mais participantes entrassem na rede.

Colaboração: o Santo Graal da infraestrutura

Dessa forma, a CG/LA e a BuilCoin acreditam que o blockchain e uma criptomoeda nativa para a indústria de infraestrutura e construção não só aliviarão os encargos do governo como também abrirão novas oportunidades para especialistas no assunto ao redor do mundo, que estão ansiosos para contribuir com projetos mas que, historicamente, têm dificuldades em encontrar estudos ou colegas que combinem com suas áreas de pesquisas e habilidades particulares.

“A colaboração é quase o Santo Graal da infraestrutura”, opinou Norm Anderson, presidente e CEO da CG/LA. No entanto, antes que a ideia surgisse de um token para incentivar os membros da rede, ele acrescentou, “ não havia maneiras de mantê-los engajados em um alto nível de uma forma consistente”.

Embora, indiscutivelmente, exista alguma incerteza envolvida nessa nova abordagem, Tokeshi argumentou que, para São Paulo, os benefícios de um potencial livro público aditável e a possibilidade de pagar por pesquisas sem utilizar os impostos dos contribuintes, fazem os ricos valerem a pena. “Pelo simples fato de ser uma inovação, espera-se que as pessoas levem algum tempo para estudar e entender. Por outro lado, nós ganhamos ao aumentar as potenciais fontes de financiamento dos projetos, adquirindo mais visibilidade e transparência”.

A necessidade gera a inovação

Em face da crise econômica e de uma contenção de despesas públicas mais austera nos últimos anos, os investimentos em infraestrutura no Brasil diminuíram cerca de 1% do produto interno bruto do país. Significando uma taxa menor que a média global de 4%, insuficientes para atender os mesmos requisitos básicos de manutenção.

Tradicionalmente, as empreiteiras brasileiras – massivos conglomerados da construção – realizam tanto os estudos de viabilidade e o trabalho de construção de um determinado projeto depois de vencer um certame do governo. Mas, devido aos contínuos escândalos de corrupção, que levou à prisão uma série de empresários do setor, esses cenário de conglomerados foi amplamente removido dos contratos.

Esta situação levou os governos locais a buscares novas formas de pagar pelos estudos, que geralmente giram estão em torno de US$ 500 a US$ 1 milhão. Por isso mesmo, criou uma janela de oportunidades para o Buidcoin. Se não fosse pelos escândalos, Anderson revelou que “Nós não teríamos a oportunidade de avançar com o projeto porque alguma empreiteira faria todo o trabalho, prometendo soluções mágicas e dizendo ‘confiem em mim e não se preocupe com isso; basta enviar alguns cheques para esta conta no Panamá’”.

Um problema Global

Anderson como um antigo assessor informal do presidente dos EUA Donald Trump sobre questões de infraestrutura, argumenta que caso o modelo seja bem sucedido, poderá ser implementado fora do Brasil e ajudará a resolver o enorme problema mundial de investimento em infraestrutura.

As aplicações globais são inferiores ao objetivo estimado de US$ 1 trilhão por ano e, nos EUA, a Sociedade Americana de Engenheiros Civis calcula que serão necessários US$ 3,6 trilhões em gastos nos próximos cinco anos, apenas para manter e atualizar as estruturas existentes.

Além disso, o problema de financiamento dos estudos necessários para lançar esses projetos se expandem muito além do Brasil. Anderson estima que existem 80 mil propostas de infraestrutura em todo o mundo que surgem todos os anos, mas apenas US$ 200 milhões estão disponíveis para pesquisas de viabilidade – o que significa que somente cerca de 400 estudos são postos em prática, anualmente.

E porque frequentemente esses estudos não se traduzem em projetos reais, eles acabam gerando uma série de dores de cabeça aos governos. “Se eu fizer um estudo e o projeto não se materializar por muitos anos seguidos, ele estará fora do circuito político. Então por que eu faria um orçamento de um projeto hoje que não se concretizará no futuro? Questionou John Cronin, presidente da BuildCoin Foundation.

Caso a parceria com a Ilumina SP seja bem sucedida, Anderson enfatizou que os próximos passos serão expandir para outros projetos como o tratamento de águas e transportes, no Brasil e em ouros mercados. “Estamos injetando velocidade no processo de criação de processos no setor privado de infraestrutura” e adicionou que “Esta não é uma panaceia. É um catalizador profundamente necessário como parte de um novo modelo original de infraestrutura”.

Fonte: Coindesk