Tecnologia

Rússia lidera esforços para democratizar tecnologia blockchain

Postado por em 22 de fevereiro de 2018 , marcado como , , , , ,

Mesmo a Rússia sendo acusada de influenciar as eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016, a capital da nação assume papel de liderança para tornar a democracia mais transparente através do blockchain.

(Foto: Pixabay)

A partir da utilização de um programa chamado Active Citzen, a cidade de Moscou tem permitido que os cidadãos votem em medidas que vão desde o nome da nova estação de metrô até a cor dos assentos de uma nova arena esportiva.

Dessa forma, em um esforço para acalmar as preocupações dos residentes, a respeito da confiança no sistema de votação, foi adicionada uma versão privada do Ethereum blockchain para a arquitetura desse projeto.

“É claro, as vezes ouvimos que nem todos os sistemas de votação são confiáveis”, ponderou Andrey Belozerov, conselheiro de estratégias e inovação do CIO da cidade. “Então, decidimos utilizar o blockchain para o projeto Active Citzen, como uma plataforma de confiança eletrônica”.

A plataforma respaldada no Ethereum, que permite a qualquer um auditar os resultados de código aberto, foi baixada por mais de 100 operadores de nó desde dezembro do ano passado. Dessa forma, a cidade espera ganhar a confiança dos cidadãos de Moscou e mais que isso, a confiança de todo o mundo.

Enquanto que o movimento entre os países denominado “guerra fria do blockchain” utiliza a tecnologia para prejudicar a influência financeira de cada um, Belozerov espera que os testes com a Active Citizen resulte em um aumento do senso de confiança entre as nações.

“A ideia é colocar todos os votos no blockchain para torna-lo aberto. Então qualquer um poderá se conectar a nossa rede de blockchain e checar o processo de votos e assim por diante”, ressaltou Belozerov em uma entrevista ao CoinDesk.

Adoção e escala

Inicialmente lançado em 2014 como uma forma de os políticos eleitos de Moscou darem aos seus ridentes uma opinião sobre a administração da cidade, o programa Active Citizen já registou 2 milhões de usuários.

No total, foram realizadas 3.450 pesquisas utilizando os dados centralizados Oracle, banco de dados em que a plataforma foi construída inicialmente. Um dos referendos realizado na plataforma de Ethereum blockchain foi medir a opinião dos cidadãos a respeito da demolição de um edifício, que seria substituído por uma construção mais nova e confortável, e o deslocamento temporário dos habitantes.

(Foto: Pixabay)

Embora Belozerov tenha dito que há “grande interesse por parte do mercado”, ele reconhece que ainda existem muitos obstáculos que precisam ser ultrapassados. Alinhado com as preocupações a respeito do espaço de blockchains públicos, o conselheiro se pergunta como a tecnologia será escalável.

Até agora, a plataforma atingiu apenas um máximo de mil transações por minuto. Mas se o projeto Active Citizen atrair mais que os 12 milhões dos residentes de Moscou, não está claro se o blockchain será capaz de lidar com o volume.

De acordo com Belozerov, o aumento da adoção a plataforma será o teste de estresse perfeito. “No final do primeiro trimestre, nós iremos determinar se ela funciona corretamente com a nossa carga”, ele destacou. “Então, poderemos encerrar o modelo anterior do Active Citzen e ir naturalmente para o blockchain”.

Ganhando confiança

Ainda assim, com objetivos mais amplos em mente, o interesse dos moradores de Moscou não necessariamente se equipara ao interesse do governo para além dos limites da cidade. Em um esforço para provar que o sistema é confiável, a população da cidade autorizou o “Big Four” da empresa de contabilidade PwC para conduzir uma auditoria independente do código.

“A empresa estudou a possibilidade de manipulação dos resultados das pesquisas, tanto por parte dos funcionários internos quanto de ataques externos”, revelou Belozerov, e descobriu que não há razões para se preocupar em pesquisas com mais de 300 mil votos.

De acordo com o site oficial da prefeitura de Moscou, as pesquisas mais populares estão em torno de 137 e 220 mil participantes, atualmente.

Além do mais, a PwC também simulou ciberataques externos e não conseguiu substituir os votos de um referendo eletrônico ou obter acesso não autorizado dos resultados. Não só isso, mas Belozerov acredita que há interesse das entidades governamentais de adotar a tecnologia blockchain não apenas para aumentar a transparência mas também para outras eficiências.

Ele apontou um teste recente feito pelo Ministério do Desenvolvimento Econômico da Rússia e do Serviço Federal de Registro do Estado para analisar como o blockchain poderia fornecer aos usuários maneiras mais rápidas e econômicas de provarem o pertencimento de seus bens. Belorezov ainda citou os esforços de Dubai para mover todos os registros do governo para um sistema respaldado por blockchain até 2025.

No entanto, o conselheiro acredita que a resistência das lideranças governamentais pode ser o maior obstáculo para a doção da tecnologia. “É claro que a questão mais difícil é mudar as opiniões, ou mudar seus pensamentos para essa abordagem. Mas vejo uma tendência muito forte para a mudança de diferentes países e empresas em prol do blockcahin”.

Fonte: CoinDesk