Casos de uso Tecnologia

O potencial do blockchain na transformação de sociedades e governos é tema no Blockspot Conference Latam

Postado por em 29 de maio de 2018 , marcado como , , , , , , , , , , , ,

Em seu famoso artigo, O Inexistente Impacto da Tecnologia, o sociólogo Pierre Levy discorre sobre os usos que fazemos de determinada técnica. Segundo ele, a tecnologia não é boa ou má e sim é o que nós, humanos, fazemos e esperamos dela.

Com o blockchain não seria diferente e para discutir os impactos dessa tecnologia que veio pra ficar, a Blockspot Conference Latam apresentou o painel Blockchain, governos e sociedade.

(Foto: Camila Marinho / Criptoeconomia)

Se no começo dos tempos o blockchain estava exclusivamente atrelado a validação das transações com Bitcoin, hoje, a tecnologia prova sua vida independente da maior das criptomoedas e, cada vez mais, apresenta casos de uso que reafirma o seu potencial para transformar a sociedade.

A possibilidade de validar informações, dados, documentos e contratos faz do blockchain um dos maiores ganhos tecnológicos do século. Isto porque, influencia positivamente em um dos fatores mais importantes para a sociedade: a confiança.

“Um vez que as nossas relações sociais são baseadas em confiança, o blokchcian tem o poder de validar isso”, ponderou a juíza do Estado de São Paulo, Renata Baião, uma das integrantes do painel.

Para a advogada e sócia da Foxbit, Natália Garcia, “O blockchain não resolve todos os problemas do mundo, mas resolve alguns problemas de uma maneira excepcional”. Ela, que também participou do painel acrescentou ainda que o maior ganho da tecnologia é empoderar o indivíduo.

Blockchain como fortalecedor da democracia

No painel, que foi mediado por Mediado Carlos Zago, CEO da Innovster, também contou com a participação do product manager da Udacity, Pedro Almeida, e de Graziella Brandão, supervisora jurídica da Walltime. Um dos tópicos mais abordados foi o fortalecimento da democracia a partir do blockchain.

“Muitos projetos [de iniciativa social] morrem na praia por falta de assinaturas confiáveis. Mas a possibilidade de auditoria das assinaturas se torna mais fácil e possível através do blockchain”, ponderou Renata Baião. No entanto, o estranhamento da população pode ser explicado pela ausência de conhecimento sobre o assunto.

“A tecnologia precisa ser imperceptível”, defendeu Graziella Brandão. “Com o Mudamos [plataforma de coleta de assinaturas], o blockchain vem para viabilizar a democracia e o direito popular”, mas a tecnologia precisa ser “invisível”. Ponto de vista que foi corroborado por Pedro Almeida.

“Considerando a aplicação em si, a tecnologia tem que ser algo imperceptível. A adoção será mundial quando a pessoa não parar pra pensar que está utilizando o blockchain no seu cotidiano”.

Almeida acredita que o acesso ao conhecimento é a solução para que um maior número de usuários faça parte da comunidade blockchain.

“Quanto mais os participantes desse ecossistema souberem sobre a tecnologia, mais empoderados eles ficarão”.

Defensor do sistema distribuído, Pedro ressalta a importância de plataformas como a Udacity, voltada para cursos sobre tecnologia e com ofertas para o aprendizado do blockchain.

“Tecnologia não tem ideologia”

Com essas palavras, a juíza Renata Baião, se aproxima do conceito proposto por Levy, citado no começo desse texto. A ideia de que uma tecnologia não é boa ou má – e sim o resultado do que os seres humanos fazem dela – é um bom conceito para minimizar a resistência em torno do Bitcoin.

Porém, os casos de fraudes e lavagem de dinheiro fazem com que as criptomoedas ainda sejam vistas com desconfiança.

Para a juíza, o escrutínio em torno das moedas digitais se dá, principalmente, devido ao fator humano. Ou seja, as criptomoedas são um instrumento que, em muitos casos, é utilizada de forma negativa.

“O Bitcoin não é anônimo e sim pseudônimo. Ou seja, a criptomoeda não pode ser associada à lavagem de dinheiro, por exemplo, até porque as transações são rastreáveis”, comentou Baião, acrescentando que é muito mais fácil corromper o sistema com dinheiro em papel.

Mesmo admirando a tecnologia blockchain, todos os integrantes do painel – em maior ou menor medida – acreditam que muita coisa relacionada ao blockchain ainda precisa melhorar. Principalmente no que se refere ao quesito da transparência.

“Por maior transparência que ele possa conferir, ainda existem interferências e falhas por causa do elemento humano”. Segundo a juíza, isso precisa ser revisto.