Casos de uso

Mercado financeiro critica Google por proibir anúncios sobre criptomoedas

Postado por em 6 de junho de 2018 , marcado como , , , , , , , , , , ,

Executivos do setor financeiro argumentaram que a decisão do Google de banir propagandas sobre criptomoedas é não apenas mal concebida como antiética. A proibição abrange criptomoedas, ICOs, exchanges, cripto-carteiras e conselhos de negociações que envolvam as moedas digitais. O Facebook e o Twitter endossam banimentos semelhantes.

(Foto: Pixabay)

Philip Nunn, CEO do Blackmore Group, uma empresa de investimentos sediada em Manchester, ressaltou que como o Google e o Facebook demonstraram interesse em criptomoedas e na tecnologia blockchain, a proibição é contraditória e não baseada em preocupações com a criminalidade.

Em entrevista ao Independent, ele declarou: “Eu entendo que o Facebook e o Google estão sob grande pressão para regular o que os usuários estão lendo, mas eles ainda estão anunciando sites de apostas e outras práticas antiéticas”.

Motivos suspeitos

Nunn disse suspeitar que o Google o o Facebook estão motivados por planos de introduzir suas próprias criptomoedas.

No início de março, um porta-voz do Google revelou ao Business Insider que estava explorando a tecnologia e disse, na época, ser muito cedo para discutir qualquer plano.

O Facebook demonstrou interesse no blockchain em maio, quando anunciou sua maior mudança de equipe de todos os tempos. O ex-diretor do Facebook Messenger, David Marcus, comentou que comandaria uma exploração de blockchain sob a supervisão de Mike Schroepfer, CEO da rede social.

Falha do Facebook

Os profissionais de marketing a serviço da indústria criptográfica estão conseguindo contornar as tentativas do Facebook de censurar propagandas sobre o assunto. Palavras como “cryptocurrency” foram abreviadas para “c-currency” e o “o” do Bitcoin foi substituído por um zero.

E mesmo com a proibição, os golpistas ainda utilizam esses dois canais para promover casas de câmbio e moedas digitais indesejadas. Até 80% das ICOs foram consideradas fraudulentas.

Se por um lado, banir a publicidade de criptomoedas é vista como uma coisa boa – já que o crescimento de tal propaganda prejudica a percepção do público – por outro lado, pode ser considerado um direcionamento injusto, segundo o diretor do setor de telefonia móvel da Revolut, Ed Cooper.

“Infelizmente, o fato de essa proibição ser geral significa que empresas legítimas de criptomoeda, que fornecem serviços valiosos aos usuários, serão injustamente apanhadas no fogo cruzado”.

Erro de uns, injustiça para outros

Cooper comentou que um esforço mais direcionado para a segurança seria melhor, uma vez que o banimento se estenderia para coisas como software de anti-vírus, instituições de caridade ou ofertas de empreso, que também são usadas por golpistas para atingir pessoas.

Gareth Malna, advogado especializado em falsificação da Burges Salmon, uma firma de advocacia do Reino Unido, ponderou que a proibição do Google é inconsistente com o seu propósito como mecanismo de busca.

Ele ainda acrescentou que a ação do Google parece proteger o consumidor, mas está extrapolando o seu papel de guardião da informação.

Fonte: CCN