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Falta de regulamento no mercado Cripto faz empresários da África do Sul irem para o exterior

Postado por em 14 de março de 2021 , marcado como

Enquanto a necessidade de regularizar o mercado de criptomoedas tem se tornado cada vez mais eminente, muitos países vêm fazendo esforços para ter um maior controle do setor, promovendo assim, mais segurança para os usuários desse ativo cada vez mais popular. Em contrapartida, alguns países, como é o caso da África do Sul, tem ficado para trás, fazendo com que um número cada vez maior de empresários do país opte por transferir suas companhias para outras nações. A falta de uma regulamentação clara sobre este mercado tem se tornado um problema cada vez mais evidente, visto que deixa tanto as empresas quanto os usuários de moedas digitais desprotegidos e acaba por fomentar um ambiente ainda mais suscetível a fraudes realizadas com criptomoedas. 

O setor de cassinos online, por exemplo, tem desenvolvido cada vez mais jogos com suporte para o uso de criptomoedas. Com a crescente popularização deste ativo financeiro tão promissor, muitos jogadores e apostadores têm buscado pelos melhores cassinos Bitcoin, e a melhor saída para identificar os cassinos confiáveis, separando-os dos de perfil duvidoso tem sido buscar por plataformas de jogos online que possuem licenças emitidas por entidades reguladoras. O fato é, leis mais fortes podem inibir ou pelo menos minimizar possíveis golpes que envolvem o uso das criptomoedas. 

Tem se tornado cada vez mais claro que, por conta da falta de regulamentos, muitas operações clandestinas podem prosperar e as autoridades devem ficar mais atentas a este processo, posto que as criptomoedas cada vez mais tem demonstrado que vieram para ficar. Para termos uma idéia em números, uma soma de 270 endereços de criptomoedas receberam cerca de 1,3 bilhão de dólares em criptomoedas de maneira ilícita somente no ano passado, e essa quantia enorme equivale a cerca de 55% de todos os fluxos criminosos, conforme o que informa a Al Jazeera em inglês publicada em 11 de fevereiro. 

Regulamentação: Possível inibidor de fraudes

A utilização de moedas digitais de forma ilegal tem sido um problema cada vez mais pertinente tanto para entidades reguladores quanto para agências que devem aplicar a lei ao redor do globo. Autoridades como a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, e a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, solicitaram uma supervisão mais firme desta indústria. No Brasil, local onde cada vez mais pessoas estão Bitcoin jogando o Senado Federal já abriu discussões sobre a regulamentação desse ativo e a Receita Federal já informou querer informações de transações realizadas com criptomoedas no Brasil, mesmo frente às críticas que argumentavam que o controle somente aumentaria o valor das taxas que envolvem as moedas.

Empresas mudam-se da África do Sul em busca de maior segurança

Em contrapartida à movimentação pró-regulamentação, companhias voltadas para criptomoedas na África do Sul afirmam que são forçadas a mudar seus escritórios para o exterior por não saberem se o país terá regulamentação vinda do Governo ou não. Ainda de acordo com a reportagem da Al Jazeera English, a Revix, companhia localizada na Cidade do Cabo, capital da África do Sul, está de mudança para o Reino Unido e planeja abrir mais um escritório na Alemanha. E a regulamentação desses territórios certamente foram um dos fatores que contribuíram para a decisão de mudança.

O ano de 2020 parece ter sido um dos piores em termos de fraudes na África do Sul, visto que uma enorme fraude ocorreu, resultando em uma perda estimada em US $ 1,2 bilhão para um grupo de investidores no país. O prejuízo foi realmente muito grande, o que fez com que o desejo por leis mais firmes só se elevasse.  A Mirror Trading Investments, uma empresa sul-africana de comércio e rede que utiliza Bitcoin, através de um esquema de fraude chamado de “Ponzi”, teria supostamente conseguido mais de 23.000 Bitcoins de investidores, prometendo retornos de até 10% ao mês usando um algoritmo de negociação computadorizado, afirmou que a “técnica” não era passível de falha. O esquema funcionou com os investidores enviando o dinheiro para o endereço do CEO da empresa MIrror Trading Investments, que todos pensavam ter fugido para o Brasil.