ICO Mercado

Entenda a diferença entre Coins, Utility Tokens / App Coins e Security Tokens

Postado por em 28 de novembro de 2017 , marcado como , , , , ,

Este dias estava lendo um excelente artigo do Micha Benoliel no Medium do Startup Grind onde ele explicava de maneira bem clara a diferença entre coins, utility tokens e Security Tokens, embora o artigo seja de Agosto deste ano, ainda sim é uma excelente leitura e achei interessante explicar a diferença aqui no Criptoeconomia.

Não é novidade para ninguém que ICOs (Initial Coin Offerings) tem atraído um grande número de investidores e levantado um alto capital em pouquíssimo tempo, fora investidores de primeira viagem que se sentiram atraídos pelo modelo descentralizado que uma ICO oferece.

Logicamente que tanto dinheiro investido em tão pouco tempo, chamou a atenção não apenas de empresas de Venture Capital mas também do próprio governo de vários países.

Só o mercado de Cryptocurrency (Bitcoin, Ethereum, Dash, etc) cresceu 4x no último trimestre segundo pesquisa do portal Coinbase, superando a marca de $100bn em capitalização. O financiamento de ICOs em geral supera o capital de risco em 3x no tamanho e quantidade do negócio.

Mas aí vem a grande pergunta, no meio de tantas oportunidades, qual é a grande diferença entre as ICOs? Vamos conhecer 3 tipos de ICOs:

1. Coins ou Criptomoedas

Essas são as mais conhecidas e mais citadas nos principais portais graças ao precursor de toda tecnologia baseada em Blockchain, o Bitcoin. Coins ou Criptomoedas utilizam técnicas de encriptação para regular de forma descentralizada (sem necessidade de um órgão ou um serviço único) a fim de gerar moedas e verificar cada transação para que seja válida dentro de toda a cadeia Blockchain.

Muitos acreditam que ela será o futuro das moedas que hoje são fiduciárias, visto que após o estouro do Bitcoin muitas outras foram criadas, tais como Ethereum, Ripple, Litecoin, Dash e várias outras criptomoedas. Inclusive Singapura tem um projeto chamado Ubin que utiliza a tecnologia Ethereum de Blockchain e tem como um dos objetivos trocar a moeda atual do país por uma criptomoeda própria.

Inclusive aqui no Criptoeconomia você pode acompanhar a cotação delas através do menu no canto superior direito “Cotações” com gráficos de vários períodos diferentes e das principais Criptomoedas.

2. Utility tokens (Tokens de Utilidade ou App Coins)

Os utility tokens (Tokens de utilidade) são serviços ou unidades de serviços que podem ou não ser comprados. Também conhecidos como app coins, por definição não foram desenhados para funcionarem como um investimento, apenas como via de acesso a um serviço. Se bem estruturado e implantado, esta funcionalidade pode inclusive isentar a utilidade que organiza as leis federais que regem os valores mobiliários.

Balaji S. Srinivasan compara em um de seus artigos como uma API Key de um determinado serviço, onde você recebe um utility token para ter acesso.

Vários projetos com uma alta demanda de infraestrutura podem utilizar esse tipo de token para capitalizar os custos compartilhados de seus servidores ou apenas para organizar o acesso a Blockchain.

Um outro exemplo que pode ser utilizado é uma Startup que pode vender “cupons digitais” para o serviço que está desenvolvendo, assim como Ecommerces que podem aceitar para uma pre-order de jogos de vídeo game que podem demorar vários meses para serem lançado. A Filecoin, por exemplo, arrecadou US$ 257 milhões vendendo tokens que permitiram o acesso aos usuários a uma plataforma descentralizada de armazenamento em nuvem.

Como o termo “ICO” é um derivado de “oferta pública inicial”, os criadores de Utility Token costumam referir-se a esses como “eventos de geração de token” (TGEs) ou “eventos de distribuição de token” (TGEs) para evitar que pareçam uma oferta de valores ativos.

3. Security Tokens

Esse é sem dúvida um dos mais poderosos que a tecnologia Blockchain pode oferecer,  Security Tokens (Tokens de segurança) representam um share de um ativo, ficando sujeito a regulamentos federais de valores ativos.

Embora muitas Startups tenham iniciado vendas de Security Tokens no último ano, o descumprimento de regulamentos federais dentro do país onde foram inseridas pode resultar em sanções dispendiosas e inclusive ameaçar a continuidade do projeto. No entanto, se cumprir todas as obrigações regulatórias, a classificação do Security Token cria um potencial gigantesco para uma ampla variedade de aplicações, dentre outras a capacidade de emitir tokens que representam ações de uma empresa.

A Overstock por exemplo anunciou recentemente que o tZERO, uma das empresas do portfólio, realizará uma ICO para financiar o desenvolvimento de uma plataforma de negociação de Security Token licenciada. Os tokens tZERO serão emitidos de acordo com os regulamentos da SEC e o CEO da Overstock, Patrick Byrne, afirmou que os titulares dos tokens terão direito a dividendos trimestrais derivados dos lucros da plataforma tZERO.

Para que um Security Token esteja em regularidade nos EUA por exemplo, ele deve seguir um teste chamado Howey criado pela 1934 Security Exchange Act, que consiste em se adequar a algumas perguntas básicas:

  • É um investimento de dinheiro ou ativos?
  • É investimento de dinheiro ou de ativos em uma empresa comum?
  • Existe uma expectativa de lucros com o investimento?
  • Algum lucro vem dos esforços de um promotor ou de um terceiro?

Para auxiliar os desenvolvedores a descobrir se os seus Tokens são seguros ou não a Coinbase publicou um documento: A securities Law Framework for Blockchain Tokens.

E ai? Depois de entender um pouco melhor o que cada uma destas ICOs são e como elas funcionam, ficou alguma dúvida? Caso sim, fique a vontade para nos perguntar no Twitter @_criptoeconomia, que estaremos lá para responder! 😉