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Demanda por Bitcoin na Venezuela cresce exponencialmente

Postado por em 17 de outubro de 2017 , marcado como , , ,

Não é de hoje que a Venezuela sofre com a hiperinflação econômica. A sua moeda nacional, o bolívar venezuelano, sofreu uma desvalorização de 3.000.000% (isso mesmo, três milhões de vezes) em relação ao dólar de 1999 para cá. A estimativa do FMI para inflação no país em 2018: incríveis 2068%.

Nesse cenário econômico caótico, muitos estudantes universitários e jovens empreendedores encontraram na mineração do Bitcoin e outras criptomoedas uma forma de sobreviver ao dia-a-dia, se valendo dos altos subsídios do governo para energia elétrica.

Além disso, com uma moeda instável como o bolívar, muitos mercados passaram a vender produtos de primeira necessidade, como comida e remédios, em Bitcoin.

Crescimento do volume de transações com bolívar no Localbitcoins

Gráfico postado por @CarpeNoctom no Twitter

Tudo isso acarretou em um grande movimento nas transações do Localbitcoins. Em um período de 3 meses, o volume foi de 9 à 40 bilhões de bolívares venezuelanos na plataforma peer-to-peer para compra e venda de bitcoin.

Represália do governo

Toda a popularidade que o Bitcoin ganhou no país chamou a atenção do governo. Desde antes de tudo isso, em 2015, o Servicio Bolivariano de Inteligencia Nacional (SEBIN) já prendeu mais de uma dezena de mineradores de criptomoedas.

Apesar dos esforços, essa ecossistema parece estar mais vivo do que nunca. Assim como muitos especialistas advertem, os governos não podem censurar, controlar ou regular o protocolo Bitcoin. Podem restringir as atividades de negociação e a mineração da criptomoeda, mas não podem impedir que ninguém use o Bitcoin.

Bitcoin é eficiente para armazenar valor

O Bitcoin, enquanto moeda, é deflacionária. Diferente das moedas nacionais criadas por governos, como o bolívar venezuelano, não existe nenhuma instituição capaz de “imprimir” mais bitcoin. Ao contrário disso, a rede coloca mais bitcoin em circulação através de algoritmos matemáticos.

De forma simplificada, um dos motivos para destruir o valor de uma moeda é quando o governo precisa de dinheiro e, para isso, imprime mais quantidade sem qualquer critério. O bolívar venezuelano não é o único exemplo, isso já aconteceu com o Zimbábue e até com o Brasil há pouco tempo atrás (quem lembra do Cruzeiro?).

Portanto, face essa situação na Venezuela, é mais eficiente e seguro usar o Bitcoin para balizamento da economia do que sua moeda nacional – pelo menos para seus habitantes.

Se o Bitcoin vai substituir o bolívar? Oficialmente, não. Na prática, bom, ele já é não-oficialmente a moeda nacional para centenas de milhares de venezuelanos.