Casos de uso

Como a tecnologia blockchain está empoderando mulheres vítimas de violência sexual

Postado por em 12 de novembro de 2018 , marcado como , , , , , , ,

A popularização da blockchain e das criptomoedas está gerando uma nova forma de uso da tecnologia: ajudar as mulheres vítimas de assédio ou violência sexual a ganharem independência financeira e, ao mesmo tempo, protegerem suas privacidades.

Tecnologia blockchain está empoderando mulheres vítimas de violência sexual

(Foto: Pixabay)

Um caso recente diz respeito a uma sobrevivente de ataque sexual que utilizou o processador de pagamentos com criptomoedas Seeds, para obter um financiamento coletivo de US$ 500, em setembro, depois que o trauma a impossibilitou de trabalhar por vários meses.

Caso a mulher em questão tivesse optado por um site tradicional de crowdfunding, ela teria que fornecer um número da carteira de identificação e uma conta bancaria emitidas pelo governo, algo que alguém que trabalha na plataforma poderia facilmente ter conseguido ligar à sua história.

Em vez disso, o uso do token baseado no Ethereum do Seeds permitiu, pela primeira vez, que essa usuária levantasse dinheiro sem revelar sua identidade a qualquer pessoa diretamente envolvida no sistema, além da CEO da plataforma, Rachael Cook.

A requerente recebeu o token como presente de Cook, a fim de postar uma “solicitação de ajuda” em 30 aplicativos que utilizam a ferramenta gratuita de front-end do Seeds, como o Aura, um aplicativo de meditação. Os doadores puderam, então, enviar o dinheiro por meio do pop-up no aplicativo com seus cartões de crédito.

“Eu conheci essa mulher pessoalmente e, por coincidência,  começamos a falar sobre o movimento #MeToo”, disse Cook, acrescentando que as pessoas que sofrem assédio ou agressão sexual no trabalho muitas vezes têm medo de falar ou sair porque dependem desse emprego para se sustentar.

“As vítimas têm dificuldades de se darem permissão para pedir dinheiro. A extensão lógica seguinte que eu vi naquele movimento [#MeToo] foi que precisamos falar sobre como esse sistema econômico [de criptomoedas] pode atender a essas necessidades.”

Cook, também uma vítima de agressão sexual, disse que pretende tornar esses pedidos anônimos mais acessíveis para os novatos cripto que precisam de ajuda com os custos legais e com saúde mental.

“Temos que deixar as pessoas saberem que isso está disponível e que as pessoas podem usá-los sem se sentirem desconfortáveis…Queremos preencher essa lacuna.”

Girl power

O caso do crowdfunding é apenas um exemplo de como as mulheres da comunidade de criptomoedas estão ajudando umas as outras  a usar ferramentas diferentes para superar o trauma pessoal.

Em um famosos caso no Afeganistão, ocorrido anos atrás, algumas sobreviventes de abuso trabalharam com a advogada especialista em Bitcoin, Roya Mahboob, para ganhar discretamente Bitcoin e pagar pelo divórcio.

Uma outra mulher, sobrevivente de violência doméstica e, hoje, desenvolvedora blockchain, falou sob anonimato ao CoinDesk que está trabalhando em um conjunto de aplicativos descentralizados de gerenciamento de dinheiro (dapps), para esse tipo de público.

Falando sobre como a grande maioria da violência entre parceiros íntimos envolve alguma forma de abuso financeiro, onde o agressor controla o acesso da vítima aos recursos econômicos, a desenvolvedora acrescentou:

“A principal razão pela qual as mulheres permanecem em um relacionamento abusivo é porque elas dependem de seus parceiros.”

Privacidade blockchain

Este foi o primeiro caso de financiamento coletivo promovido pelo Seeds para ajudar vítimas de violência sexual, mas, no futuro, qualquer usuário em tais condições — que queiram sacar seu dinheiro sem oferecer informações pessoais a terceiros — poderão simplesmente solicitar a alternativa para Cook, disse ela.

Além disso, os demais interessados já podem adquirir tokens Seeds sem um ID verificador, usando uma plataforma de trocas descentralizadas como AirSwap ou Ox.

Até o momento, a Seeds processou aproximadamente uma dúzia de solicitações de ajuda — entre US$ 100 e US$ 1.200, cada. Mas apenas uma esteve relacionada ao caso de violência sexual.

Dessa forma, Cook pretende espalhar a palavra das criptomoedas para as vítimas que estão abertas à tecnologia, mas confusas quanto aos meandros de custodia ou em lidar com a volatilidade de longo prazo.

Para essas pessoas, os tokens sob esses moldes podem oferecer um pagamento mais rápido, sem precisar compartilhar tantas informações pessoais com as instituições, se comparado com as campanhas convencionais de exchanges de Bitcoin ou crowdfunding.

“As criptomoedas nos permite criar sistemas que transcendem estruturas de poder subservientes e centralizadas”, ponderou Cook. “Precisamos mais disso.”

Fonte: CoinDesk

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