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Chinesas codificam mensagens na rede blockchain para denunciar casos de abuso sexual

Postado por em 25 de abril de 2018 , marcado como , , , , , , , ,

Inspiradas pelo movimento #MeToo, estudantes chinesas estão codificando mensagens no blockchain do Ethereum para escapar da censura e denunciar casos de abuso sexual.

Chinesas codificam mensagens na rede blockchain para escapar da censura e denunciar casos de abuso sexual

(Foto: Pixabay)

Conforme reportado pela Quartz, usuários da internet chinesa viram algumas mensagens referente ao movimento contra assédio desaparecerem das redes sociais mais populares.

Em particular, os posts sobre um alegado encobrimento de anos atrás na Universidade de Pequim, uma das universidades mais prestigiadas da China.

Alunos da instituição apelaram ao corpo docente para investigar o caso de Gao Yan, uma estudante universitária que cometeu suicídio em 1998 depois de alegar que foi sexualmente violentada por um professor, que permaneceu na faculdade por anos.

Em uma carta aberta, a estudante Yue Xin revelou estar sendo coagida pelos professores e conselheiros para cessar seu ativismo.

Sua carta foi censurada tão rapidamente, que alguns internautas começaram a postá-la de cabeça para baixo, na esperança de manter o documento em circulação.

Tecnologia blockchain para driblar a censura

Embora a carta não tenha durado muito nas mídias sociais, agora o documento ficará para sempre gravado no blockchain do Ethereum. E, como todos os registros de transações são públicas, a carta poderá ser lida por qualquer pessoa da rede.

Para os ativistas que evitam a censura, a principal vantagem do blockchain é que ele oferece permanência.

Enquanto que os censores online podem limitar o acesso a determinados sites e coagir as empresas de mídia social a excluir postagens, é quase impossível alterar um blockchain público popular, como o Ethereum ou o Bitcoin.

É claro que, quando se trata de distribuir informações para a ampla audiência, esse método é muito menos eficiente que as mídias sociais tradicionais – pelo menos por enquanto.

Leo Weese, presidente da Associação de Bitcoin de Hong King explica que para encontrar a carta é necessário ter o URL para uma página específica, uma espécie de mecanismo de busca para transações de blockchain.

Acessar o sistema pode parecer complexo para o usuário comum e, por isso, provavelmente ele não aprenderá a manuseá-lo apenas para ler a carta. Então, por enquanto, não há muitas maneiras eficientes de transformar uma mensagem no blockchain em viral.

Ainda assim, o incidente mostra como o blockchain pode, eventualmente, ajudar os usuários da internet a evitar os controles de censura, como os implementados na China.

Os comentários na rede do Ethereum no país asiático estão classificando a situação como “histórica”.

Fonte: Coindesk e Quartz