Tecnologia

Blockchain: Separando alguns mitos da realidade

Postado por em 13 de junho de 2018 , marcado como , ,

Ninguém duvida que a tecnologia blockchain capturou as mentes e a imaginação das pessoas nos mais diversos setores. Eles vão desde logística, propriedade intelectual e indústrias criativas até o gerenciamento de dados; só pra citar alguns deles.

(Foto: Pixabay)

No entanto, em meio ao burburinho que acompanha a ascensão da tecnologia blockchain, há uma confusão crescente com relação a como ela funciona e como deve ser aplicada.

É importante lembras que o blockchain não permite que as pessoas façam qualquer coisa que ainda não possa ser feita. Explico: o trunfo da tecnologia é permitir que as tarefas que ministramos no dia-a-dia sejam executadas mais rapidamente e com um custo muito menor do que antes.

Imutabilidade

Um dos mitos mais comuns em torno da tecnologia é que o blockchain é imutável. Ou seja, que todas as transações são à prova de falsificação. Isso decorre do fato de que as informações podem ser adicionadas ao bloco, mas não removidas do banco de dados.

No entanto, nem todo mundo sabe que para uma informação ser validada ela precisa passar por um consenso e a forma como ele é alcançado afeta a segurança e os parâmetros do protocolo.

Se pegarmos como exemplo a prova de trabalho (Proof of Work/PoW) do Bitcoin, veremos que ele faz duas coisas: garante que o próximo bloco da cadeia seja a única versão verdadeira e mantém os adversários que querem atacar a cadeia longe do sistema.

No entanto, se alguém ou um grupo com grande capacidade computacional conseguir deter mais da metade do processamento de mineração (51%) de um blockchain baseado em PoW, se torna possível manipular o sistema.

Como você pode imaginar, obter essa enorme capacidade computacional ou induzir que mais de 51% dos participantes de uma comunidade cheguem em uma concordância não é tarefa fácil.

Por isso que o Blockchain é considerado imutável e muito difícil de ser fraudado, o que não significa que seja impossível.

Segurança automática

Utilizar a tecnologia blockchain acreditando que automaticamente todas as transações estarão seguras é outro mito.

A criptografia sem dúvida, torna o sistema mais resiliente à medida que o armazenamento de dados e as permissões são distribuídas.

No entanto, caso a chave privada de alguns participantes da rede seja comprometida, os invasores podem ter acesso total ao banco de dados compartilhados – incluindo a capacidade de reverter o histórico de transações.

Como resultado, o gerenciamento de chaves privadas é um grande desafio, particularmente se uma maioria de 51% conspirar, como mencionado anteriormente.

Como acontece com todos os sistemas de computador, a precisão dos dados e recursos armazenados dependem da pessoa que os insere. Por isso, a veracidade dos dados codificados no blockchain ainda precisa de uma rede confiável para verificar e garantir a precisão da entrada.

Transações descentralizadas

Por ser uma tecnologia descentralizada, muitas pessoas pensam que o blockchain é aberto e por isso permite que qualquer pessoa tenha acesso a informação contida no bloco.

Mas a verdade é que os dados são criptografados e apenas pessoas autorizadas podem ter acesso aos detalhes das transações.

A descentralização, inclusive, é uma medida de segurança, já que com a base de dados distribuída e compartilhada, se torna mais difícil o ataque de pessoas mal intencionadas.

Sem dúvida o blockchain é revolucionário e irá movimentar muitas indústrias em um futuro próximo. Mas é sempre importante lembrar que a tecnologia é tão eficaz quanto as pessoas que a gerenciam e codificam.

Fonte: The Block