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Apple é acusada de censura após retirar do ar podcast sobre criptomoedas

Postado por em 7 de novembro de 2018 , marcado como , , , , , , , , , , ,

A Apple removeu abruptamente de sua loja o popular podcast sobre criptomoedas “Off The Chain”. Segundo a CCN, a exclusão repentina desencadeou preocupações generalizadas de censura entre os fãs.

Apple é acusada de censura após retirar do ar podcast sobre criptomoedas

(Foto: Pixabay)

Apresentado por Anthony “Pomp” Pompliano, fundador e sócio-gerente da empresa de investimentos Morgan Creek Digital Assets, o podcast foi retirado do ar após alcançar a 4ª posição na categoria de “investimentos” do iTunes Store dos Estados Unidos.

“Não recebemos nenhum aviso. Não sabemos por quê”, Pompliano lamentou no Twitter. “Eles tiraram o nosso podcast, mas não podem derrubar o Bitcoin!”

Algumas especulações sugerem que o motivo da censura seja por conta do episódio exibido no dia 31 de outubro, chamado “The Ultimate Bitcoin Argument” (ou “O Veredito Final Sobre o Bitcoin”, em livre tradução).

Foi na sequência desse programa que, no dia 2 de novembro, a Apple retirou o Off The Chain da podosfera, sem qualquer notificação.

Bitcoin: a “arma nucelar digital”

O episódio que aparentemente desencadeou a censura se refere a uma conversa com o Bitcoin maximalista— pessoa que acredita que esta seja a única criptomoeda legítima — Murad Mahmudov, que, na ocasião, discutiu por que as moedas fiduciárias estão fadadas ao fracasso e os motivos pelos quais os bancos deveriam adotar o Bitcoin.

No episódio, Mahmudov disse que chamar o Bitcoin de ouro digital é “um eufemismo”, já que a moeda é muito mais que isso.

“É uma arma nuclear monetária digital”, ponderou Mahmudov. “Acredito que isso irá expandir a economia e acelerar ainda mais o capitalismo, o livre mercado e o comércio sem fronteiras.” Ele ainda acrescentou que:

“Eu acho a volatilidade do Bitcoin ótima. Se você se distanciar e observar os últimos anos, especialmente em uma escala logarítmica, essa volatilidade tem sido predominantemente ascendente…isso mostra que a força do Bitcoin em relação às moedas fiduciárias está aumentando.” 

Argumentos para a descentralização

Em entrevista para a CCN, Pompliano foi perguntado se, para ele, o motivo da censura da Apple se refere ao fato de seu podcast promover o Bitcoin, ele não pôde dar certeza, mas não escondeu sua frustração com o ocorrido.

Por outro lado, o apresentador disse que a abrupta interrupção do seu popular podcast criou um excelente debate sobre a descentralização — que é a marca registrada do ecossistema cripto.

Para ele, gostando ou não, é alarmante que uma corporação individual possa censurar unilateralmente um conteúdo.

“É mais óbvio do que nunca que organizações e produtos centralizados apresentem riscos consideráveis de contraparte”, escreveu Pompliano em seu blog.

“Independente dos motivos da ação da Apple, uma corporação individual foi capaz de tomar uma decisão unilateral de censurar um conteúdo. Eles não nos deram um aviso ou explicação.”

Alternativa aos grandes players

As preocupações com a censura por grandes players como Facebook, Twitter e o Youtube — de propriedade do Google — fizeram com que os membros da comunidade de criptomoedas pensassem em alternativas de redes sociais baseadas em blockchain.

A Minds, por exemplo, é uma delas. Desenvolvida sob uma proposta de código aberto, a plataforma recebeu, recentemente, um investimento de US$ 6 milhões da Medici Ventures, subsidiária de blockchain da Overstock.

A Minds promete privacidade aos usuários e nenhuma censura. “Todo o nosso código é aberto, o que significa que qualquer pessoa pode analisá-lo”, pontuou Bill Ottman, fundador e CEO da empresa.

Em contrapartida, ele comentou que o Facebook censura seletivamente o conteúdo de determinados grupo, sem explicação. Deixando os usuário à mercê do monopólio da mídia social.

“A realidade é que eles (Facebook, Twitter, Google) estão punindo centenas de páginas e não sabemos o motivo, pois eles mantém o código em sigilo. A censura afeta tanto à direita quanto à esquerda e a liberdade na internet beneficia a todos.”

O podcast também foi distribuído em serviços como Spotify, Google, Libsyn, entre outras plataformas.

Fonte: CCN

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