Casos de uso

Lava Jato descobre esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o uso do Bitcoin

Postado por em 14 de março de 2018 , marcado como , , , , , , , , ,

Presente nos noticiários brasileiros desde 2014, a Lava Jato foi responsável por revelar o maior esquema de corrupção já enfrentado pelo país. Mas isso não é novidade. No entanto, na última terça-feira (13), a Receita Federal descobriu – através da operação Pão Nosso, que é um desdobramento da Lava Jato – um artifício inovador para lavagem de dinheiro, e ele envolve o Bitcoin.

Lavagem de dinheiro com Bitcoin

(Foto: Dollars and Sense)

Em uma coletiva de imprensa, a Receita Federal divulgou o uso da mais famosa das criptomoedas no esquema de corrupção que levou a prisão o atual diretor-geral de Polícia Especializada do Rio de Janeiro, o delegado Marcelo Martins, e o antigo secretario de Administração Penitenciária da gestão Sergio Cabral, Coronel Cesar Rubens Monteiro de Carvalho.

Segundo o portal G1, os suspeitos teriam desviado cerca de 73 milhões de reais, que seriam destinados ao fornecimento de pães para os presos que estão sob a tutela do Estado. Desse montante, 300 mil foram investidos em Bitcoin.

Ao utilizar a criptomoeda, o objetivo dos fraudadores era driblar a atenção dos órgão públicos de controle financeiro.

O superintendente-adjunto da 7ª Região Federal, Luiz Henrique Casemiro, revelou que a utilização de moedas virtuais em esquemas como esse não é comum, conforme destacou o G1.

“O que nos chamou a atenção com relação a operação é que pela primeira vez apareceram operações envolvendo Bitcoin. Isso realmente é uma novidade. As pessoas estão tentando sofisticar de alguma forma, talvez tentando voar abaixo do radar da Receita Federal, do Banco central e do Coaf”.

A ideia de utilizar a moeda ocorreu devido a facilidade em receber o dinheiro no exterior, já que esse instrumento não é regulado na maioria dos países e dificilmente deixaria rastros.

Operação Pão Nosso

As irregularidades da operação desencadeada nesta terça-feira já estavam sendo investigadas desde o ano passado e envolvia a instalação de uma padaria nas dependências de Bangu.

Segundo a investigação, a ONG Primus instalou equipamentos de panificação para que os presos pudessem trabalhar na fabricação dos alimentos e, assim, reduzir suas penas.

Porém, mesmo com a utilização da mão de obra dos detentos, da energia elétrica, ingredientes e água fornecidos pelo Estado, os pães, depois de prontos, ainda apareciam na conta da população.

Ou seja, a partir de uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), foi descoberto que os contribuintes estavam pagando duas vezes pelo pão fornecido às penitenciárias estaduais e destinada aos detentos.

O TCE constatou ainda a falta de uma folha de presença. Dessa forma não há a comprovação de que os serviços, de fato, foram prestados pelos detentos.