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Estudos revelam que preço do Bitcoin pode ter sido manipulado

Postado por em 15 de junho de 2018 , marcado como , , , , , , , ,

O notável desempenho do Bitcoin no último ano pode ter sido fumaça e espelhos. Pelo menos é o que defende um estudo divulgado na quarta-feira, pela universidade do Texas.

Estudos revelam que preço do Bitcoin pode ter sido manipulado

(Foto: Pixabay)

Segundo o professor de finanças, John Griffin, e o estudante de pós-graduação Amin Shams, o Tether – uma moeda digital atrelada ao dólar – foi usado para inflacionar artificialmente os preços do Bitcoin.

Eles analisaram o histórico da moeda e descobriram um padrão de gastos com Bitcoin em momentos cruciais, ajudando a impulsionar o primeiro ativo digital do mundo a um preço recorde, em dezembro.

“Parece que o Tether foi usado tanto para estabilizar quanto para manipular os preços do Bitcoin”, afirmaram eles no estudo. “Esses padrões não podem ser explicados pela demanda dos investidores”.

Mas para entender melhor o contexto, vale ressaltar que o Tether (USDT) não é um token, como o Bitcoin e o Ethereum, por exemplo.

Ele é um passivo digital não regulamentado, que foi lançado em 2015 pela Tether Ltda.; empresa com estreitas ligações com a exchange chinesa Bitfinex, uma das maiores do mundo e, consequentemente, uma das maiores influenciadoras do mercado de criptomoedas.

Em um comunicado, JL van der Velde, o CEO da casa de câmbio, disse que “nem a Bitfinex nem o Tether estão ou já se envolveram em qualquer tipo de manipulação de mercado ou preços”

No entanto, a análise de Griffin e Shams mostrou um padrão de suporte ao preço do Bitcoin.

Primeiro os Tethers são criados pela empresa controladora, a Tether Ltd., geralmente em grandes blocos de 200 milhões.

Quase todas as novas moedas passam para a Bitfinex, comentou Griffin. Quando os preços do Bitcoin caem logo após a emissão, os Tethers da Bitfinex e de outras exchanges são usados para comprar Bitcoin “de forma coordenada, para impulsionar o preço”, revelou o professor.

“Eu já analisei muitos mercados, ponderou Griffin. “Se houver fraude ou manipulação, possivelmente deixará um rastro nos dados. Pois os rastros nos dados estão aqui e são muito consistentes como uma hipótese de manipulação”.

O artigo de Griffin descreveu vários padrões, descobertos em um período de um ano.

Ele primeiro percebeu que os fluxos não eram simétricos. Quando o preço do Bitcoin caia, o volume do compras do Tether aumentova, ajudando a reverter o declínio.

Mas durante os tempos em que o Bitcoin subia, Griffin disse que não conseguir constatar o contrário. E para ele, isso é “sugestivo de que o Tether esteja sendo usado para proteger o preço do Bitcoin durante as desacelerações”.

Griffin e Shams são conhecidos no mainstream financeiro por, anteriormente, descobriram suspeitas de manipulação no índice de volatilidade de Wall Street, o VIX.

Um processo aberto em março citou sua pesquisa para argumentar que os traders estavam manipulando o valor das opções e futuros do VIX.

Valor do Bitcoin despenca

O preço do Bitcoin caiu 1,4% na quarta-feira, para cerca de US$ 6.441,17, segundo dados da Bloomberg. E a queda da mais famosa das criptomoedas diminuiu o preço das demais, incluindo o Ripple, Litecoin e o Ethereum.

Dentre os fatores responsáveis pela queda do Bitcoin, destaca-se o grande ataque a uma exchange da Coreia do Sul.

Na segunda-feira, a Coinrail, informou que havia sido hackeada e que cerca de 30% das suas moedas virtuais foram roubadas.

Vale lembrar que a Coreia do Sul é um dos maiores mercados de criptomoedas do mundo e por isso qualquer acontecimento no país afeta o ecossistema das moedas virtuais como um todo.

A pesquisa de Griffin e Shams foi revelada e um momento em que o mercado global de criptomoedas enfrenta um crescente escrutínio das autoridades, principalmente nos Estados Unidos.

O Departamento de Justiça dos EUA está conduzindo uma investigação criminal sobre a possibilidade de traders estarem usando uma variedade de técnicas para manipular o mercado de Bitcoin e outros ativos digitais.